domingo, 5 de setembro de 2010

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Live to ride, ride to live

Sabe aquela frase “se eu fosse explicar, vc não ia entender” ? pois é alguém explicou pra todo mundo entender. Essa é a própria essência do motociclismo. Se vc não for motociclista e quiser saber o que a gente sente, aqui está. Se vc é motociclista, com exceção da parte de vestir preto, chamas e caveiras, lembre-se: esse é o caminho a seguir. Nunca tinha visto alguém descrever tão bem o que é ser motociclista. Só podia vir da HD.

Ok ok, já sei que vão me perguntar pq eu fiz a exceção do preto, chamas e caveiras. Acontece que assim como a frase do vídeo (“alguns de nós acreditam no Cara lá cima, mas todos nós acreditamos nos caras aqui de baixo”),  também alguns de nós gostam de parecer maus. Isso acontece porque muita gente na sociedade acha que todo mundo tem que viver segundo códigos conservadores pré-estabelecidos e os motociclistas aprenderam a se defender e alguns de nós o fazem parecendo ameaçadores, justamente para afastar esse tipo de pessoa. Outros de nós entretanto, sabem que paz ainda é mais importante. E que assim como queremos ser compreendidos, temos que entender que as compreensões de todos ainda vêm melhorando, afinal de contas, somos todos humanos e cabe também aos motociclistas entenderem este fato.
Parecer ameaçador não é necessário portanto. O que é necessário é a compreensão da limitação de alguns.
Então tenho que dizer que não concordo com esta parte, porque a meu ver, não devemos esconder a sujeira, devemos limpá-la. Não devemos não demonstrar (esconder) a fraqueza, devemos construir a fortaleza na união com nossos irmãos. Não devemos culturar a morte, nem nos unir na morte (caveiras), motos foram feitas para cultuar a vida. Não devemos acreditar nas chamas e sim na tranquilidade da liberdade de nossos corações.
Ainda assim esse vídeo representa sim a essência do motociclismo, porque é assim que estamos no momento. Mas a enorme sede de viver que temos em nossos corações, ainda nos levará a ser melhores.
Lembre-se: o problema nunca foi estar sujeito a morrer, o problema sempre foi deixar de viver.


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Invictus – Invencível

Estou querendo compartilhar um poema conheci há alguns anos, do qual gosto muito e considero bastante inspirador. Foi escrito pelo poeta inglês William Ernest Henley (1849–1903) em 1875.
Quando William tinha a idade de 12 anos, contraiu tuberculose nos ossos. A frágil saúde e a instabilidade financeira da família, faziam com que muitas vezes não comparecesse à escola. Alguns anos depois a doença progrediu e ele teve a perna esquerda amputada abaixo do joelho. Em 1867 entretanto passou nas provas da Universidade de Oxford como estudante senior. Ele é autor de diversas obras literárias, peças e poemas.
Espero que sirva para inspirar mais alguém assim como me inspira.
Leia-se ao som de Scotland the Brave


Out of the night that covers me Além da noite que me cobre
Black as the pit from pole to pole Negro como o poço de ponta a ponta
I thank whatever gods may be Eu agradeço a quaisquer deuses que existam
For my unconquerable soul. Por minha alma invencível
In the fell clutch of circumstance Nas garras das circustâncias
I have not winced nor cried aloud. Eu não me abaixei ou chorei alto
Under the bludgeonings of chance Nas agressões da sorte
My head is bloody but unbowed. Minha cabeça está sangrando mas não abaixada
Beyond this place of wrath and tears Além deste lugar de fúria e lágrimas
Looms but the Horror of the shade Se apresenta apenas o horror da sombra
And yet the menace of the years E entretanto a ameaça dos anos
Finds and shall find me unafraid. Me encontra e me econtrará sem medo
It matters not how strait the gate Não importa quão estreito o portão
How charged with punishments the scroll Quão cheio de punições esteja o pergaminho
I am the master of my fate: Eu sou o senhor do meu destino
I am the captain of my soul. Eu sou o capitão da minha alma

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O mundo que criamos

Já algumas vezes falei de fantasias, de idéias irreais que muitas vezes mantemos durante muitos e muitos anos à custa de um tanto de esforço, sofrimento e pelas quais deixamos passar tantas oportunidades, tantas coisas que poderíamos ter feito.
Mas talvez alguém pergunte (eu mesmo faço muito essa pergunta a mim mesmo) se eu também não estou apegado a um tanto dessas idéias irreais. Afinal de contas, sou motociclista, cabeludo, roqueiro, anarquista, entre outras coisas. São também fantasias ? Estarei eu também imerso na Matrix tão profundamente como todo mundo ? É claro que estou. Mas acredito que a diferença é que sei que estou e escolho conscientemente qual mundo vou criar pra mim.
O livro que mais gosto entre todos os que já li chama-se “A História sem Fim” de Michael Ende. Para alguns mais uma história infantil. Para quem sabe ler nas entrelinhas, uma história repleta de simbolismos e arquétipos que nos remontam a tantas coisas esquecidas. Que nos lembra que podemos criar a realidade que quisermos para nós mesmos. Ele ilustra bem o que penso sobre isso.
Mas para quem não leu, esclareço que o mundo que conscientemente crio para mim provém de minha imaginação e de minha própria escolha de quais características quero que tenha.
Andar de moto, sentir o vento no rosto, sentir-se livre por isso, sentir a sensação de realização e poder que só a sensação de uma moto na estrada te dá é uma fantasia ? A resposta a essa pergunta depende de alguns fatores:

  • -Você gostaria que essa experiência fizesse parte do seu mundo ? Muita gente não gostaria. Recentemente uma pessoa me disse: “eu não vou andar de moto pra levar uma queda e me quebrar todo”. Quem não vê moto como um experiência interessante, quer viver em outros mundos, com experiências diversas da minha.

  • -Essa experiência é pra vc ? Sua personalidade, capacidade e jeito de ser, têm a ver com isso ? Muita gente até gostaria de ser de um certo jeito, mas simplesmente não são capazes. Leia esse texto antes de entrar nessa.

  • -No seu meio existem fatores que tornarão sua vida excessivamente àrdua pela escolha por este caminho ? Não vivemos em um mundo tolerante. Algumas escolhas que fazemos, podem criar problemas sérios para nossa vida. Balancear adequadamente o que queremos com o que os outros querem pra nós, pode nos tirar de alguns problemas. Entretanto, claro que não é nada adequado viver nossa vida em função dos outros. Estou querendo dizer para usarmos o bom senso. Exemplo: escolher fazer uma tatoo de rosto inteiro em uma cidade do interior, tá sujeito a tornar nossa vida um tormento sem fim. Já escolher uma profissão bem diferente do que seus pais querem para você (desde que vc consiga se sustentar e progredir, pra não dar trabalho pra eles depois), é perfeitamente adequado. Bom senso.

  • -Sua escolha provocará sofrimento em alguém ? Este não é o caso do exemplo acima, mas como estou escrevendo genericamente, serve pra alguns outros casos. Não é certo provocar sofrimento em ninguém. Viva de forma a ter paz com seus semelhantes.

Caso o mundo que vc quer criar pra si, passe por esses crivos, ou pelo menos, não cause excessivos problemas, porque não criá-lo ? Ao criá-lo, o que poderia ser uma fantasia, deixa de ser pra se tornar realidade pela nossa ação consciente. Esses mundos que criamos, nos dão experiência, evolução, desenvolvimento.
Entretanto há que distinguir entre mundos que criamos e experiências que temos, de ilusões. Uma coisa é modificar a realidade em volta de si para vivermos como quisermos. Outra é nos iludirmos com coisas que não são verdade.
Sou motociclista. Pq sou motociclista ? Pq andei de moto minha vida inteira. Isso é real. Agora se quiser me convencer que sou melhor motociclista do que outro motociclista, passei pra ilusão. E isso é ilusão porque simplesmente não há nada que evidencie isso de forma alguma.
O que alguns chamam de fantasia só é fantasia se não pertence ao mundo que vc criou pra si, fez pertencer sem ter consciência do que estava fazendo (por influência alheia ou algo assim), não vendo ou não se importando com as conseqüências ou se não há evidências concretas do que vc diz ou quer. Caso vc consiga realizar e manter o que vc propõe, nunca foi uma fantasia e sim uma criação de sua imaginação tornada realidade, que só faz nosso mundo avançar e se tornar melhor e mais diverso, permitindo assim mais evolução e conhecimento pra todos.
Esse é nosso destino como seres humanos. Sermos criadores de mundos.


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Novo Ao Contrário

Caro leitor,

Bem-vindo à nova versão do Ao Contrário. Estive trabalhando nela por algumas semanas e finalmente ficou pronta. O novo gerenciador e formato, vem permitir um nível maior de profissionalismo e futuras ampliações nos recursos do blog .

Aos donos de blogs e para quem está pensando em ter um, quero recomendar o WordPress (o gerenciador de conteúdo que estou usando para esta nova versão). Muito bom, com muitos recursos, muito estável e ainda por cima muito fácil de usar. O WordPress está disponível em:

http://wordpress.org

Espero que tenha gostado .  :)


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Como um motoclube deve ser

Motoclubes são à primeira vista grupos de amigos que compartilham o mesmo amor pelas motocicletas. Mas quem os conhece por dentro sabe que não são só isso. E a tradição vem nos mostrando que alguns deles são muito mais. São a manifestação da irmandade.
Um motoclube digno do seu brasão precisa ter:

Lealdade

A lealdade de seus membros ao grupo tem que vir em primeiro lugar. Precisa haver um claro compromisso com o grupo. Tem que se dar sempre prioridade a um membro em qualquer caso.
Claro que isso não quer dizer que se fique fechado ao grupo. Quer dizer simplesmente que se você está criando um grupo, espera-se que seus membros sejam mais importantes pra você do que quem não faz parte dele. Quem você auxiliaria primeiro, alguém da sua família ou um estranho ? Assim deve ser um MC.
Também se espera que se priorize a convivência com os membros do MC, criando assim uma proximidade e uma união de todos.

Honra

Motociclistas que participam de MCs devem dar o exemplo. Exemplo de como é viver sob o lema “Live to Ride, Ride to Live” (“viva pra rodar, rode para viver” em tradução livre). Rodar está ligado a experimentar, conhecer, viajar, não ficar fechado em si e sim procurar se integrar com outros povos, outras culturas, outros conhecimentos além dos que estão acessíveis imediatamente e com a própria natureza, à qual estamos tão conectados em uma motocicleta. Isso não quer dizer abrir mão se sua própria cultura ou individualidade. Quer dizer se enriquecer com a experiência. Essa experiência de vida deve ser mostrada por um equilíbrio, respeito, vida correta, digna da experiência de vida superior que é viver sendo motociclista.
Motoclubistas precisam ser um exemplo para a sociedade, para suas famílias e no seu trabalho. Precisam demonstrar honestidade, caráter, lealdade, conduta ética e moral. Como se pode criar uma irmandade com uma pessoa que demonstra claramente em várias de suas atitudes a sua falta de caráter ? Como diz o ditado, quem faz um cesto faz um cento. Como vamos poder confiar em uma pessoa que tem um caráter seletivo ? É extremamente honesta e leal para umas coisas e totalmente canalha em outras ? Por isso os membros de um MC precisam ter um compromisso com a ética e com uma conduta reta. Todos somos humanos, estamos sujeitos ao erro, mas uma coisa é errar, outra é achar que o erro é a forma correta de se viver.

Um por todos e todos por um

Ninguém é mosqueteiro, mas esse lema cabe como uma luva para MCs. Há que ser unido. Se um membro do MC tem um problema, todos têm um problema.

Escolha rigorosa dos membros

O processo de aceitação em um MC tem que ser rigoroso. Para que haja um sentimento de irmandade, precisa haver confiança. Sem uma convivência e proximidade durante algum tempo não se conhece ninguém. Aliás conhecer alguém é sempre uma coisa bem difícil, porque todos nós passamos por muitas fases, algumas vezes complicadas. Então há necessidade de saber se a pessoa que estamos aceitando como irmão não vai denegrir nosso nome. Credibilidade demora anos para ser contruída e segundos para ser perdida.

Funções bem definidas

A hierarquia é essencial em qualquer grupo humano. Não há organização sem ela. Sem que existam membros com disposição de trabalhar, organizar, gastar dinheiro, gastar tempo para correr atrás do que necessita ser feito, não há MC que consiga crescer e se manter. Precisa haver uma consciência de dedicação ao grupo.

Liderança firme

A liderança firme e pró-ativa em um MC (e em qualquer grupo humano) é a chave para que se possa manter o grupo unido, ativo e resolver os problemas rapidamente. Um presidente de MC que espera que os membros atuem por ele ao contrário de cumprir sua obrigação de manter o MC unido, ativo, participativo da cena motociclística local e em crescimento é somente um fardo para o MC e estará contribuindo para o declínio do grupo. Espera-se de quem está no lugar de liderar que faça justamente isso: lidere.

Participação

Espera-se que um MC seja capaz de participar dos eventos de motociclismo que ocorrem regularmente. Para isto precisa haver recursos. Precisa haver material de cortesia para troca entre MCs como adesivos e camisetas, precisa haver material de divulgação, precisa que exista material para criar um box em encontros, eventos beneficientes e outros tipos de eventos que venham a ocorrer. Enfim, precisa existir estrutura.

Dinheiro

Precisa haver uma tesouraria bem organizada, precisam existir mensalidades capazes de dar conta de se manter uma sede, o material que o MC possui, um local onde possam ser realizadas reuniões e eventos. Motoclubes têm despesas que precisam ser financiadas pelos seus membros. Mais uma vez reforço que tem que haver compromisso e o compromisso se faz presente também de forma financeira. Há que haver rigor neste ponto, pq dele depende a continuidade da existência do MC. Se houver o caso em que um membro do MC não esteja podendo arcar com as despesas em algum tempo, deve ser tratado como um irmão e o caso deverá ser resolvido auxiliando no possível. Ninguém deve ser excluído por este motivo, mas também não deve ser tolerada a falta de compromisso com o MC.

Respeito pelos símbolos do MC

Os símbolos do MC (brasão, bandeira, botons, camisetas, etc) representam o sentimento de seus membros pelo grupo. Precisam ser valorizados e respeitados pelos membros do MC e há que se exigir respeito de todos por eles. São como a bandeira de um país. Há que ter respeito.

Prezar pela segurança

Motoclubistas rodam muito, por isso é absolutamente essencial que se preze pela segurança adotando procedimentos já amplamente conhecidos. Roupa adequada, que guarneça as partes mais frágeis. No mínimo botas que guarneçam os tornozelos e luvas resistentes. Quando em grupo precisa manter a conhecida formação zigue-zague, entre outros procedimentos que devem ser conhecidos por todos.

Tradicionalismo

Motocilistas devem ser fiés à sua cultura e tradições. Motoclubes têm por tradição usar coletes com seus brasões, de acordo com as regras de seu MC, ouvir rock e/ou heavy metal, viajar juntos, viver despojadamente, usar couro (não necessáriamente animal, existe couro sintético de boa qualidade atualmente), usar tatuagens, entre outras coisas.
Várias destas coisas, tiveram origens diversas, mas vieram se integrando à cultura motociclística ao longo dos anos. Para que sejamos uma classe precisamos de ter uma cultura própria. Quem sabe um dia não seremos um povo ? Seria um povo muito bom! :)

Ausência de formalismos

Motocilistas precisam enfrentar chuva, frio, neve, pistas esburacadas, óleo e detritos na pista, animais, motoristas e outros motociclistas irresponsáveis (fui repetitivo ? :D) e toda sorte de situações inesperadas. A roupa que um motociclista usa deve ser adequada a esta realidade.
Roupa excessivamente formal não combina de forma alguma com motociclismo, assim como não combina com a coragem de enfrentar a vida como ela se apresentar.

Isto que eu apresentei não é final. Talvez tenha esquecido vários pontos que poderiam ser interessantes para um bom MC. Mas acredito que um MC que tenha as características que eu mostrei já está em um muito bom caminho.
Espero que possa inspirar motociclistas e motoclubes a dar o exemplo de como é ser motociclista.
Caso me lembre de mais pontos, incluirei em uma versão 2.0 desse texto. :)


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Consciência

Todos os textos que tenho publicado até agora são de minha autoria. Mas esse texto é de um colega de trabalho que o escreveu após alguns flames que levantei recentemente defendendo o software livre. Gostei tanto dele que resolvi publicá-lo aqui, com autorização dele.


O texto abaixo é apenas uma reflexão, um pensamento que me ocorreu e decidi compartilhar. Talvez seja apenas uma visão simplista.

————–

A ignorância é uma benção. Esta é uma das mais sábias frases já criadas. Todos os dias vejo ao meu redor um monte citações explícitas ou implícitas a este dito ou mesmo uma boa oportunidade para citá-lo.

Agora mesmo, pesquisando sobre a célebre frase me deparei com um blog impagável, leiam e saberão do que estou falando (http://chamberlaws.com/2008/07/a-ignorancia-e-uma-bencao.html). Lembrei também de ouvir uma frase de Hommer Simpson (sou fã do seriado): “Deus deve está muito ocupado: criando tufões ou não existindo”. Num outro episódio, Lisa, a menina inteligente e contestadora é tomada por uma forte depressão quando conclui que o mundo caminha para o caos. Lisa então toma “Ignoreitall” e passa a vê um mundo de carinhas seridentos.

Com relação ao grau de ignorância, eu vejo três tipos de pessoas:
1) O alienado: É representado aqui pela menina do comentário sobre Maria da Penha, ignora a realidade, prefere vê o mundo pelos olhos dos outros (televisão, moda, amigos). São pessoas felizes e envelhecem lentamente.

2) Parcialmente alienado: Pode ser representado pelo Hommer (apenas) da frase acima (normalmente Hommer é alienado), pode conhecer a realidade, mas não está nem ai pra ela, conforma-se. Não procura o conhecimento, mas pode adquiri-lo. Quando está diante de uma tomada de decisão prefere seguir a maioria para não sofrer. Odeia quem toma partido (crentes,
ecologistas, esquerdistas, vegetarianos, opensourcers, etc)

3) Engajado: É a Lisa sem “Ignoreitall”, preocupa-se com o mundo em vive, busca fazer sua parte e faz campanha pra “evangelizar” o próximo. Sente-se feliz por ter descoberto o nirvana, mas vive se defendendo da acusação (quase sempre justa) de ser chato. Vive em busca do conhecimento necessário para defender suas doutrinas, mas torcendo para não descobrir que está errado. Vive pouco e branqueia os cabelos precocemente.

Recentemente descobri que posso ser um engajado parcialmente alienado, basta tomar doses homeopáticas de “Ignoreitall”, assim posso eventualmente descobrir o nirvana e ao mesmo tempo andar e c@%&* para quem não me acompanhar.

Abaixo o neo-liberalismo!
Salve o planeta!
Opensource now!
Viva o linux!

Opa, hora do remedinho…

Emmanuel Ferro


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Estradas

Quando vemos alguém com um comportamento religioso fanático, tendemos a nos sentir incomodados com esse comportamento. Isso leva a que nos distanciemos do caminho espiritual seguido por aquela pessoa. Ao fazermos isso naturalmente no aproximamos de outro mais adequado à nossa atual compreensão.

Religiões são estradas. Cada estrada leva a um destino. Uns mais perto, outros mais longe. Algumas pessoas não querem (ou não estão podendo ainda) caminhar por algumas estradas. Mas quando você pega uma estrada para poder chegar ao seu destino, tem que permanecer nela, porque se desviar demora mais pra chegar onde quer ir.
Acontece que a estrada é bem difícil para muitos. E para permanecer nela eles precisam se fanatizar ou não têm a força necessária para continuar no caminho. Aquele fanatismo demonstrado nada mais é que a busca da pessoa por força e firmeza.
Então o que cabe no caso de pessoas com “fé demais” é compreender a situação da pessoa, entender que ela está fazendo isso movida pelos seus melhores sentimentos e (caso se importe com ela) tentar auxiliar, devagar, com muito jeito e exemplo, a pessoa a chegar em uma estrada melhor e mais tranquila um pouco mais pra frente. Se a confrontamos fortalecemos o fantismo porque ela passará a nos considerar inimigos da sua fé.
O destino das religiões é a evolução espiritual. O que é evolução espiritual ? é conhecer o que existe além da matéria, mas é principalmente sermos capazes de melhorar aquelas coisas em nós mesmos que ficamos adiando e adiando. Conseguir permanecer calmo, conseguir ser mais produtivo, conseguir ser mais tolerante, conseguir ter mais fé, conseguir amar alguém, conseguir ter consciência da realidade do próximo e tantos outros.
Mas as falhas que temos são imperfeições da pessoa que necessita de um pouco mais de caminhada e disciplina (ou seja, seguir mais adiante pela estrada que escolheu) para melhorar.
Então, deixa o povo com a fé deles do jeito que é. Deus sabe o que faz e cria estradas para atenderem a compreensão de todos. Umas são mais adequadas a uns, outras a outros, mas todas levam a um só lugar: à evolução.


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A quem possa interessar



VAMOS LEMBRAR!

Hoje eu gostaria de lembrar a quem possa interessar que há mais ou menos 50 anos houve neste planeta uma revolução dos costumes, que mudou a forma de pensar da humanidade. Esta revolução não foi americana, brasileira, inglesa, européia, asiática ou de qualquer lugar ou povo. Foi uma revolução global e é chamada de Revolução Hippie ou Revolução c dos anos 60.
Ela trouxe para nossa época valores há muito esquecidos ou ignorados. Trouxe de volta a lembrança que nós estamos conectados à natureza, à espiritualidade e ao cosmos. Trouxe de volta a noção de que a aparência nada importa. O que realmente importa é o que levamos no nosso coração e na nossa memória. Com ela veio a contra-cultura, o experimentalismo, o poder da flor, novos sons, novas imagens, novas sensações e a liberação da terrível prisão sexual que nossos antepassados viviam. Veio também a noção de que o ser humano é livre para seguir o caminho que quiser. O resgate do que o homem sempre teve – seu livre arbítrio.
Com ela vieram a paz e o amor como bandeira maior, expressados no conhecido Símbolo da Paz acima. Muitos jovens lutaram, gritaram, morreram para que as guerras acabassem, para que os direitos humanos fossem respeitados, para que houvesse igualdade de direitos entre os sexos, para que houvesse liberdade de relacionamentos.
Com ela voltou à humanidade a noção de que nossa mente pode ser expandida nos dando acesso à realidade além da matéria. Talvez foi esse o ponto menos compreendido dela. E é justamente por não se saber na época como fazer isso, que só havia um caminho: experimentar. E é claro que para que se possa achar algo temos muitas vezes que andar por muitas estradas erradas até achar o caminho certo. Mas isso só prova o valor de quem caminhou. E caminhou muito e muito pra frente no pensamento, na expansão da mente, antes tolhida por arcaicos valores. E se caminhou muito pra frente na tolerância, na integração entre os povos, na forma de se ver a vida e no respeito a ela.
É por isso que me entristece muito o fato de ver que ainda hoje, 50 anos depois, ainda temos tantos e tantos seres humanos que, como diz a música, “ainda são os mesmos e vivem como seus pais”. Me entristece o fato de ver que nossos líderes ainda acham que pessoas precisam usar panos pendurados no pescoço para que “pareçam respeitáveis”. Como se o pano conferisse o poder especial da respeitabilidade. Quem dera o conferisse! Seria bem mais fácil. Mas infelizmente não é o caso. É triste ver como tantos anos após o pensamento da humanidade ter dado um salto de gigante, grande parte da humanidade ainda se apega a costumes tão idiotas como achar que existem seres humanos mais especiais que outros, ao ponto de alguns países pagarem a alguns poucos membros de seu país, fortunas incontáveis para que eles fiquem bonitinhos vivendo uma vida de luxo e esplendor só porque isso é uma “coisa legal que dá boas fofocas para os jornais” além de ser um “símbolo integrador da nação”. O que pode ser mais ridículo do que a história da Cinderela tornada realidade ? Até onde ainda pode chegar a exposição ao ridículo da nossa humanidade ? Até quando vamos dar valor a um líder, ou a outrem porque ele usa este ou aquele tipo de roupa, ou tem esta ou aquela aparência ? Se eu vou para uma encontro da ONU onde será debatido o destino dos povos, qual exatamente é a importância que tem a roupa que vou estar usando para o debate ? O debate é de propostas ou de moda ? Se estou em uma palestra de tecnologia, onde será apresentada uma nova solução para um problema e o palestrante quiser entrar lá e dar a palestra usando uma jaqueta de couro dizendo KISS ARMY atrás e uma maquiagem condizente, no que exatamente isso influenciaria em esta solução ser melhor ou pior ? Eu não consigo ver realmente qualquer relevância em terem que existir “aparências aceitáveis”.
Mas estamos melhorando, pois esta revolução veio para trazer “um novo tempo apesar dos perigos” e dos interesses. E um novo pensamento também. Onde visões diferentes do convencional tiveram e têm muito mais lugar. Onde a violência e atitude conservadora que sustenta o muro dos costumes (“The Wall”) deve ser superada e deve dar lugar ao diálogo e à tolerância. E esta revolução veio pra ficar, apesar do que muitos pensam e da estreiteza de visão em ver as conexões do que houve com o que somos hoje. Quem duvidar compare o que é a cultura livre de hoje (software, música, literatura, etc) com o pensamento hippie. Eu vejo inúmeras conexões entre ambos. E e este movimento de liberdade e cooperação na criação só tende a crescer. Está mais do que na hora de atualizarmos nossa forma de pensar para um pensamento moderno, mais vanguardista, menos fantasioso. Está na hora de dar o salto que já foi dado por tantos para que possamos realizar os sonhos maravilhosos que tiveram seu apogeu no verão de 69.
Para finalizar quero lembrar de uma música que ficou mais conhecida quando cantada pela inesquecível, maravilhosa, exemplo de mulher, chamada Joan Baez que tanto fez e faz pela causa da paz no mundo lembrando que

WE SHALL OVERCOME!

We shall overcome,
We shall overcome,
We shall overcome, some day.

Oh, deep in my heart,
I know that I do believe
We shall overcome, some day.

We’ll shall be all right,
We’ll shall be all right,
We’ll shall be all right, some day.

Oh, deep in my heart,
I know that I do believe
We shall overcome, some day.

We shall live in peace,
We shall live in peace,
We shall live in peace, some day.

Oh, deep in my heart,
I know that I do believe
We shall overcome, some day.

We are not afraid,
We are not afraid,
We are not afraid, TODAY

Oh, deep in my heart,
I know that I do believe
We shall overcome, some day.

We shall overcome,
Oh Lord, oh Lord
Overcome, some day.

Oh, deep in my heart,
I know that I do believe
We shall overcome, some day.

NÓS VAMOS SUPERAR!

Nós vamos superar
Nós vamos superar
Nós vamos superar, algum dia

Oh, bem fundo no coração,
Eu sei que eu realmente acredito
Que nós vamos superar, algum dia.

Nós ficaremos bem,
Nós ficaremos bem,
Nós ficaremos bem, algum dia

Oh, bem fundo no coração,
Eu sei que eu realmente acredito
Que nós vamos superar, algum dia.

Nós viveremos em paz,
Nós viveremos em paz,
Nós viveremos em paz, algum dia

Oh, bem fundo no coração,
Eu sei que eu realmente acredito
Que nós vamos superar, algum dia.

Nós não estamos com medo,
Nós não estamos com medo,
Nós não estamos com medo, HOJE

Oh, bem fundo no coração,
Eu sei que eu realmente acredito
Que nós vamos superar, algum dia.

Nós vamos superar
Ó Senhor, ó Senhor
Superar, algum dia

Oh, bem fundo no coração,
Eu sei que eu realmente acredito
Que nós vamos superar, algum dia.

Vídeo de Joan Baez cantando “We Shall Overcome” no Youtube


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Praia de Iracema – Há que cuidar

Normalmente eu escrevo sobre idéias e temas genéricos. Mas hoje quero falar de um problema local e atual aqui de Fortaleza: A Praia de Iracema

Resido em Fortaleza desde 1999 e o dia que eu cheguei foi mesmo dia onde conheci o saudoso e maravilhoso Cais Bar. Desse dia em diante o Sá Filho e o Barry White são testemunhas que minhas visitas por lá eram muito freqüentes – várias vezes por semana. Esse foi um tempo maravilhoso. Todo o dia à tardinha o público, devagarzinho, começava a encher a Praia de Iracema, que ficava linda nos tons do pôr-do-sol. Casais caminhando de mãos dadas, famílias com suas crianças correndo, pessoas de todas as cores e todos os lugares do país e do mundo, passeavam por aquele corredor de barzinhos aconchegantes, com um povo acolhedor, sempre com um sorriso no lábios, amizade pronta pra ser cativada, bons papos, bons humores, boas paqueras, uma enorme diversidade cultural e musical e pra completar, ainda tinha o Pedacinho do Céu. Me lembro do Cais, do Brasil Regional, do Compasso, do Mincharia, do Pirata, do boliche e muitos outros. Quando chegava a noite, a luz dos refletores no mar mostrava os tons maravilhosos do mar do Ceará associado às luzes e o colorido das decorações das casas, o que criava uma mistura ímpar de pessoas, cores, formas, ondas e luzes que levarei comigo enquanto viver.

Este sempre foi um lugar de muitas histórias, muitos momentos marcantes na vida de tanta gente. Para mim marcou muito. Era como um refúgio para quem ainda não tinha muitos amigos na cidade. Conheci muita gente legal por lá. Era um dos lugares mais encantadores que eu já conheci, e entretanto, todas as histórias que ouvi, sempre disseram que o melhor tempo por lá foi lá por volta de 1992 a 1996. Imagino como terá sido. Fico com pena de não ter seguido um impulso que tive nessa época para vir conhecer esta terra.

Mas para o desgosto de muitos milhares de pessoas que lá passaram, aí veio a decadência. Mais ou menos em 2000-2001, as autoridades começaram a combater a alarmante prostituição na Av.Beira-Mar. Naquela época, haviam várias boates e bingos e o número de prostitutas era realmente muito elevado. Tradicionalmente este é um lugar de passeio de famílias, esportistas e turistas, além de um dos pontos mais lindos de Fortaleza. A presença das prostitutas realmente atrapalhava.

Segundo noticiado na mídia, foram então colocadas câmeras de vigilância para identificar os líderes e as prostitutas com o objetivo de removê-las de lá. Trabalho este muito bem feito e muito eficiente por parte das autoridades. A Beira-Mar realmente melhorou significativamente depois dele.

Só que esta não é a profissão mais velha do mundo à toa. Se as prostitutas não podiam ficar ali, é claro que elas vão pra outro lugar. E que lugar melhor do que outro ponto maravilhoso, perto de lá e com ótimos lugares para conhecer possíveis clientes ? Possivelmente ia ser melhor ainda.

E assim elas vieram. Começaram a chegar em peso, estando por todo lado por volta de 2002. Ainda me lembro de olhar uma menina na mesa me paquerando e quando cheguei até ela recebi o “olha eu faço programa” que não esperava. Outra vez me lembro de comentar com um amigo: “Olha que menina gatinha” e ele responder: “você realmente não conhece uma p*** quando vê uma né ?”. Não eu não conheço. Nunca gostei desse tipo de ambiente e me dá uma profunda tristeza saber que uma mulher, muitas vezes linda, um ser humano com a capacidade potencial de mudar o mundo, possa se achar tão incapaz que veja como sua única opção vender o corpo. Quando eu vejo uma mulher que se prostitui eu nunca vejo a prostituta, vejo a menina frágil, que chorou rios de lágrimas e viu tanto sofrimento até se transformar no que é hoje. Vejo as que não tiveram oportunidade de conhecer o lado mais elevado da vida devido a uma secular exploração da maioria por alguns, levando-a a se apegar ao que há de mais medíocre na vida. Vejo o terrível desprezo por sua terra natal, por ignorância, ao tentar achar homens de terras distantes para casar, porque não vêm possibilidade de sobrevivência aqui.

O fato é que quando prostitutas começam a freqüentar um lugar onde antes não existia prostituição a óbvia conseqüência é que as mulheres, para não serem confundidas com elas, vão embora. Quando as mulheres vão embora, os homens que não procuram prostitutas, as seguem, e aí ficam somente as prostitutas e quem as procura. Mesmo que tentemos olhar sem preconceito para um estilo de vida diferente do nosso, fica difícil aceitar que pessoas que procuram meninas de 13, 14 anos com intenção de pagar por sexo, possam trazer aspectos positivos para qualquer lugar. É notório que este tipo de público vem sempre acompanhado da marginalidade. E é esta mesma marginalidade que tem arruinado de forma devastadora o ponto mais bonito da cidade, um corredor cultural de fama nacional e internacional.

As causas dessa falta de cuidado com a Praia de Iracema são motivo de muitos comentários. Ouve-se falar de especulação imobiliária, interesse em manter o turismo sexual, falta de atuação das autoridades, entre outras. Para mim entretanto a impressão que fica é que esta falta de cuidado está sempre baseada na falta de sentimento do povo Fortalezense por sua terra. Este é um dos aspectos que mais estranhei quando vim para o Ceará. Quando aqui cheguei, vi uma terra linda, uma beleza de encher os olhos, com uma riqueza indescritível. E no entanto a impressão que tenho é que, por algum motivo, para quem é daqui, parece que a riqueza está sempre em outro lugar. Está mais do que na hora dos cearenses abrirem o olhos para a grandiosidade e riqueza de sua terra. Porque quando possuímos riquezas, temos que cuidar delas, ou chega alguém e as pega pra si. Este processo entretanto já começou faz tempo. Me lembro de ouvir um nativo em Jericoacoara dizendo que um estrangeiro dono de alguns terrenos, tinha fechado um lugar por onde eles sempre passavam e reclamado que Jericoacoara estaria quase toda na mão de quem não é de lá.

Vejo também hotéis e mais hotéis sendo construídos na beira da praia por quem é de fora em lugares incríveis e vejo os lugares mais esplendorosos serem vendidos a preços irrisórios.

Ô tristeza grande. Porquê, um lugar tão maravilhoso, uma beleza que enche o olhos e o coração do mais frio dos espectadores, não desperta um enorme sentimento de amor por seu povo ? Deveria. Deveria ser melhor cuidado.

Há que cuidar. Mais do que nunca, há que cuidar do que temos. Precisamos cuidar de nossa memória e de nossa história. É certo que a vida não é só seriedade e trabalho. Festas, diversão, conversas, reuniões, de amigos, música, são a alegria da vida. Mas para que esta alegria prospere há necessidade que este aspecto da vida seja limitado ao tempo que é adequado e que não nos esqueçamos de nossas responsabilidades e do trabalho que temos que realizar para preservar o que temos e avançar para novas etapas no futuro.

Então está mais do que na hora das autoridades Fortalezenses repetirem o excelente trabalho que fizeram na Beira-Mar em 2000-2001, desta vez na Praia de Iracema, para que possamos trazer de volta a nossas vidas a maravilhosa praia dos amores, praia das artes, praia dos encontros, praia da música, praia da alegria, praia do pôr-do-sol, Praia de Iracema.


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Direitos humanos

Existe uma frase que já recebi algumas vezes por email que diz: “Direitos humanos são para humanos direitos”. Não concordo não. Direitos humanos são pra quem precisa. E em um grande número de vezes, quem precisa mais é quem não é tão correto.

É quando um ser humano chega à condição de cometer um crime, ou de estar na marginalidade que ele precisa ser tratado da forma mais humana possível. Não estou defendendo a impunidade. Estou defendendo que cabe à justiça uma punição justa, em pleno acordo com a lei.

Chega-se à condição de marginalidade, por muitos motivos ou por muitas justificativas às quais aquelas pessoas se apegam. E é ao sermos absolutamente corretos e éticos no tratamento dado a criminosos que mostramos que estamos alguns degraus acima deles e não vamos nos apegar às mesmas ilusões fantasiosas que fazem o criminoso praticar seus atos.

O que acontece é que nosso mundo não tá lá essas coisas. E ao nos deixarmos contaminar pela revolta dos atos errados praticados por outrem, corrompemos a nós mesmos. Cada vez mais alimentamos essa mesma revolta. E quando achamos um “alvo” para nossa revolta queremos que ele pague por toda ela. Mas o que cabe a quem comete um ato criminoso, não é pagar por todos os atos errados da humanidade. Cabe pagar unicamente pelo ato que cometeu. Quanto pior mais pesada deverá ser a sentença. Mas ele tem que pagar pelo que fez e SOMENTE pelo que fez e nada mais.

Então é justamente para frear essa “sede de vingança” que existem os direitos humanos. E eles devem sim defender os criminosos. Defender quem caiu em um erro muita vezes grave ou gravíssimo, de pagar por todos os outros erros de todos os outros seres humanos que chegaram a esta condição.

E quem é realmente capaz de afirmar com toda convicção que nunca cometerá um crime ? Quem sabe as circunstâncias que seremos obrigados a suportar na vida ? Será que não é possível que sob determinadas circunstâncias não acharíamos nós também motivos que a nós pareceriam justos para cometermos o mesmo ato deles ? Será que estes motivos pareceriam justos a todos, ou seríamos nós também nesse caso o alvo da revolta de alguém ?

O melhor então é buscar a calma. A tranqüilidade para lidar com situações difíceis. Porque é este o momento onde ela é mais necessária. E auxiliar a desenvolver esta mesma tranqüilidade em nós, para que não sejamos nós os próximos a precisar que os Direitos Humanos realmente funcionem.


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